"essa é a coisa sobre necessidades: algumas vezes, quando as satisfazemos, elas não são mais necessárias"
Quem disso isso foi Carrie, de sex and the city. Eu, sinceramente, não sei se isso funciona pra todo mundo, mas, muitas vezes, cai como uma luva em certos momentos da minha vida e me ajuda a superar coisas que já não são necessárias e eu insisto em mantê-las ali, por costume ou capricho. Foi assim com o meu Mr. Big.
Fazia muito tempo que não o via, havíamos deixado alguns (muitos) assuntos pendentes, e eu tinha muita vontade de estar com ele de novo (algumas pessoas chamam isso de saudade, eu dou outros nomes). Resolvi dar mais uma chance ao biltre, afinal, eu PRECISAVA disso. E por que não? Com o tanto que já se havia perdido ali, não havia muito mais a perder.
No primeiro dia, nós apenas colocamos as coisas em pratos limpos, mas não apenas limpamos os pratos, também alvejamos, desinfectamos e polimos. Entre feridas e rosas, resolvemos recomeçar. Olha que grande idéia: recomeçar do mesmo jeito que começou: eu sendo a outra (já falei que tô dando aulas nessa matéria? tenho graduação, doutorado, bacharelado e phd). Passou o resto da semana marcando forte presença, mensagens e ligações diárias. Ele dizia que queria fazer dar certo (só comigo ou com as duas?).
Já na segunda vez que nos vimos, voltamos às boas velhas, estava tudo EXATAMENTE como era antes, as minhas atitudes foram as mesmas com relação a ele. Assumo, quem não reposiciona não muda de mercado, não agrega valor, nem altera o comportamento do consumidor. Logo, ele fez as mesmas besteiras comigo.
Precisei quebrar a cara duas vezes pra me reposicionar, mas o mais importante é que o fiz. A partir de então comecei a mudar minhas atitudes para com ele. Ele parecia não estar satisfeito com as mudanças, as novas atitudes e reações. Mas aí é que tá, reposicionamento engloba troca de mercado, adeus Mr. Big.
Se isso fosse antes de eu ver o tal episódio de sex and the city (eu não estou overacting, essa frase de Carrie alterou mesmo minha concepção sobre certas coisas, embora o episódio não tenha nada a ver com nada na minha vida, o sentido das palavras foi inédito pra mim), eu teria me jogado às traças, chorado mais que nuvem carregada, ficado tristissima, me enclausurado ou coisas assim. Ou pior, poderia deixar o reposionamento de lado e continuar a ser a alguma-coisa não-muito-boa-para-qual-eu-não-tenho-palavras dele, só pra continuar com ele(tá, essa não seria eu, mas tem tanta gente que faz esse tipo de coisa né?).
Foi aí que eu parei e pensei: ô Leite, pra que tu ainda queres esse Mr. Big dos infernos? Pra que ele te serve? O que ele ainda tem pra te dar, te oferecer? Tu precisa dele pra quê? E eis que, quase como uma luz divina, surge a resposta: PRA NADA. Ou seja, ele já não é mais necessário. Ele já não me dá mais o que eu preciso, e eu preciso de MUITAS coisas. Então desculpa, mas não vai dar pra ficar amarrada nesse cara só pra manter o costume e meus caprichos, porque as necessidades vêm primeiro e alguém no mundo deve poder me dar as coisas que necessito, esse alguém, definitivamente, não é ele. Então vou ter que ir atrás, desata as algemas: a procura recomeçou!
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